domingo, 29 de junho de 2008

A Ruiva

Costumava ser gordinha quando criança. Ruiva, gordinha e tagarela. Depois cresceu, continuou ruiva, mas emagreceu e se fechou como uma ostra. Sempre morou com a mãe, nunca ouviu falar do pai. Tornou-se tímida quando se apaixonou pela primeira vez, aos 11 anos. Percebeu que as coisas eram mais complexas e inapreensíveis do que a perspectiva plana que até então apreendia na sua vida.

Aos 15 começou a trabalhar. As notas na escola caíram, mas precisava ajudar sua mãe que não dava conta de sustentar a casa e seus pequenos luxos adquiridos de tanto ver novela. Rúbia não ligava para as cores da moda, os novos penteados ou a programação na tevê. Na verdade não se interessava por muitas coisas e embora já tivesse 24 anos, ainda não sentira o palpitamento da vida, algo que pudesse fazê-la transbordar de vontade de alguma coisa.

Já teve um ou outro namorado (ao contrário da mãe que tem um diferente a cada lua). Namorou um vizinho que a traiu depois de quase um ano juntos. Ela não o culpava. Sabia que faltava cor nos instantes, sabia que parecia mais morta do que viva quando estavam na cama.

Não tem memórias da infância, não tem fruta preferida, mas gosta do cheiro que o sol deixa nas suas roupas surradas. É muito bonita, sim. E agora, assim cedo, está no ônibus para mais um dia de trabalho.

Rua das Carambolas, o mesmo número 127 há dois anos. Procura a chave na bolsa, limpa os pés, respira fundo, abre a porta. Começa lavando a louça, prepara o café, arruma a mesa até ouvir os gritos habituais e se dar conta que Dona Lídia acordou e desesperadamente chama por todo mundo. Como se fosse um fantasma, deixa tudo arrumado e, imaginando como acabar com as formigas, dirige-se a outro aposento, para lavar roupas.

Mais fotos de garotas nuas no bolso da calça de Seu Moura. Mais uma vez o sentimento de não saber o que fazer com elas. Desajustar tudo mais ainda mostrando à patroa? Jogar fora e admitir-se cúmplice daquele cotidiano corrupto que entranhava nas paredes? Por alguns segundos pensou em como seria ser fotografada nua.

Encarar o dia como só mais uma segunda-feira. Outro dia morno, enjoado, empedernido. É etéreo tudo aquilo que não tem. Tudo aquilo que não descobriu em si mesma. Deveria tomar remédios como Dona Lídia? Enlouqueceria também? Juntaria todas as desilusões a acreditaria nas pílulas para dormir, acordar e, supostamente, sobreviver?

Era uma segunda-feira como as outras, mas sentiu uma irrupção distinta. Como o nascimento de uma natureza mística, metade Rúbia, metade música. Ou metade rotina, metade desprendimento.

Teve uma súbita vontade de ir ao quarto da Natália, pedir para que fugisse daquela casa, que fosse morar com ela, porque ainda era nova e poderia salvar-se da loucura. Precisava mesmo fazer alguma coisa. Não suportava lutar com suas entranhas ao constatar que a pequena chorava escondida. Podia não saber de moda, podia não se encontrar em si, não se entregar numa paixão. O que não podia era deixar escapar aquele momento.

...

Inebriada, nada fez. O momento passou e a vontade escorreu tornando-se apenas um contraste naquele dia estranho. Por que tanto envolvimento? Não tinha sido contratada apenas para limpar, lavar, cozinhar, não falar e desaparecer? Um calor envolveu-a. Prendeu os longos cabelos em um coque, olhou para os lados e atentou para aquela casa aos seus cuidados. Conhecia todos os aromas das pessoas, que sentia ao passar roupas. Conhecia os remédios no armário do banheiro, as fotos que sugeriam traição, as lágrimas apagadas da filha incompreendida, a preferência da comida, a marca da ração do cachorro, a quantidade de sabão para lavar os tapetes caros... Como se desenlaçar de um dia-a-dia que não lhe pertencia e ao mesmo tempo a envolvia de tal forma que resultou num reconhecimento próprio?

...

Alguém apagou a luz. Ela reconhece aquele cheiro. A porta se fecha. Ele se aproxima, ela não quer. Ou quer. Não poderia porque não gostava disso e não gostava dele e não queria nem pensar nas ininterruptas loucuras de Dona Lídia, caso ela descobrisse. Ele a empurrou para um canto entre a parede e a máquina de lavar que enxaguava a roupas. Fugir daquilo seria fugir de tudo. Não sabia o que seria. Fechou os olhos, ficou na parede, aceitou. Pensou na sua mãe, nos gritos do quarto, em vitrines empoeiradas, nas fotos do Seu Moura, ali na sua frente. Nem sabia como ele não a tinha interceptado antes. Antes ela fugiria, gritaria, morderia. Agora ela deixa, sua, geme, treme, quer. Aquele ambiente a teria mudado? Ele teria percebido?

...

Baque. Sentia-se infinitamente disposta a pedir as contas, a trabalhar em um supermercado, a economizar e comprar uma máquina fotográfica.

...

Na verdade não sentia. Ainda queria salvar Natália, ainda queria ir aos cantos furtivos com o patrão, ainda queria ficar lá e molhar a samambaia. Da falta de vida, fez-se a vontade de tudo ao mesmo tempo.

...

Hiatos. Horas comuns por não saber, já libertada de si, o que percorrer. Pensou em pintar o cabelo. Pensou novamente em tirar fotos sem roupa, mas agora também queria que elas estivessem no bolso de Seu Moura.

...

A pequena passou correndo na cozinha e foi para o quarto. Era o momento de ir até lá e tentar colher uma compreensão, um sorriso. No meio do caminho alguém a segura pelo braço. Mas de novo? Só que agora na cama do próprio, já que Dona Lídia havia saído para umas compras e ele decidira chegar mais tarde ao trabalho para alguns minutos de potência máxima.

Noite. Na cabeça, excertos do dia. Na pele, a inatividade morta, o suor da dúvida, o cheiro do novo. Ainda fechada em si, mas expandida no mundo, era o que sentia. Continuaria no emprego? Absorveria tudo daquela casa ou se procuraria em outras coisas? Estaria ficando parecida com sua mãe? Estaria cada vez mais diferente? Estava decidida: no dia seguinte pagaria alguém para tirar fotos suas com pouca roupa, sem roupa, sem vergonhas nem tremulações.

Olhava-se no espelho, nua, procurando os defeitos de seu corpo. Seios talvez pequenos demais, mas ela concluía gostar assim, e os segurava levemente como que para ter certeza que aquela beleza era sua. Via sua pele muito branca, mirava-se de lado, procurava curvas, formas que ainda não conhecia, pensava nas fotos e perguntava-se como que agora, dentro de si, cabia tanta coisa.

Lembrou-se de Natália, imaginou Seu Moura e Dona Lídia na cama. Ela louca, ele também louco, só que por outra coisa. Aí acabavam não fazendo nada. E também aquela casa não significava nada. Reflexo dos dias doidos, filhos não planejados, carinho não dado, comida sem gosto, roupas úmidas, arrependimentos, coisas para organizar, coisas para amar, animal de estimação esquecido, dinheiro esbanjado, colégio particular etc. Isso só para simplificar. Lutava consigo, pensava coisas aleatórias, queria comprar lingeries e uma barra de chocolate. A roupa por fora não importava, só importava a que seria vista por poucos.

A mãe bate à porta. Filha, você chegou tão diferente, aconteceu alguma coisa? Não, mãe. Eu só me confundi. E dormiu.

Sonhou ser fotografada nua e em preto e branco. As fotos estavam nos outdoors da cidade. Todos viam seus seios, seus pêlos, o contraste habitual de sua pele. Homens e mulheres desejavam-na, queriam fazer fila, mordê-la. Então, em meio à multidão, aparecia Natália estendendo a mão e pedindo baixinho que ela fosse sua mãe.

Rúbia acordou ainda atordoada, olha o relógio, veste-se, prende os cabelos. Vai à parada e sente-se incapaz de entrar no ônibus de sempre. Senta no meio-fio e espera. Como se Natália fosse buscá-la e fazê-la salvar-se de si mesma.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

sábado, 21 de junho de 2008

Perdona

- Mana, tu é uma perdona.
- Isso não extiste, Laura...
- É uma perdona porque perdeu a sua chave.



!

Uma dose de Manoel, S'il vous plaît

Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.


Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria.


Só a alma atormentada pode trazer para a voz um formato de pássaro.
Arte não tem pensa:
O olho vê, a lembraça revê, e a imaginação transvê.
É preciso transver o mundo.



[Fragmentos "Livro sobre nada", de Manoel de Barros]

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Um olhar infantil sobre o cinema

Laura: Fazer cinema é o mais ruim, porque tem que ficar vendo filme e não pode trabalhar.




!!!

terça-feira, 3 de junho de 2008

"Assim,

a melancolia é a mais legítima das tonalidades poéticas".
(Poe)

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Interessante exercício de fotografia...

[Foto: Alfred Stieglitz]



Só falta...

A personagem não morreu porque, na verdade, ainda não nasceu.
Eu já morri porque não tinha nascido direito.

Agora falta o veneno parar de funcionar...

terça-feira, 27 de maio de 2008

Ponto.

Respirar. Um passo. Expirar. Um passo. A cada movimento das pernas, um nó. Mais um passo, mais outro nó. Um passo para trás na tentativa de desfazer o aperto. Nada feito. Voltar atrás não muda o curso dos pés, o passar das horas. Pular. Descarregar o peso no chão de descaso. Bater, bater, gritar. Procurar a estrada que não há. Que nunca houve. Que os sonhos se encarregaram de trazer. E depois matar. Céu, pernas, mundo, lixeiro, lâmpada, desordem. De quem são as vozes? Quem me puxa? Não há fio condutor. A respiração é arquitetada. O segundo seguinte não diz nada.

domingo, 25 de maio de 2008

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Essa ausência que me mata,

a da Poesia

.


Eu acabo com os personagens
as histórias
as idéias
em cada instante de falta.

Eu acho que morro.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Férias

Laura cantando e dançando feliz da vida:

"Abra suas asas, solte suas férias..."

(E ai de quem disser que não é assim...)

A Lua e a Tabacaria

Ontem, olhando para Lua, tive a mesma sensação de quando, também ontem, reli a Tabacaria. Aquele sentimento de gigantamento, de não-caber, de supremo, de infinito, de completo incompleto. Céus! É encantador...

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

sábado, 3 de maio de 2008

Fica...

Seus olhos preocupados,





distantes.

Sinto-me confusa,
não fazem parte de mim.

O que fazer para alcançar?
Para te trazer dentro da minha morada?
Por que não vens por completo?

...


Aceita meu convite,
abre minha porta,
senta na cadeira que é só tua.

Fica para um café,
uma conversa,
uma noite,
Uma Vida...

domingo, 27 de abril de 2008

Detalhes sobre o tempo

- Tenho tanta coisa pra fazer, mas o tempo voa!
- Como assim o tempo voa?
- Passa muito rápido, Laura.
- Ah, Fabiane, o tempo não é meu...

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Sabe...

- Sabe do que eu também gosto com a aproximação do inverno?

- Hm?

- Desse cheirinho de frio, igual ao do dia em que nos conhecemos...

- :)


segunda-feira, 24 de março de 2008

Passa tempo

Ainda há tempo
de inventar o poema?

Lá fora os outdoors batem à porta:
estou atrasada.

O mundo gira
os carros correm
as pessoas voltam
as janelas fecham
o lixo se acumula
e a realidade, impassível,
não desiste de sua sina,
triste,
quase imperceptível
(de tão diária, de tão comum...).


terça-feira, 11 de março de 2008

Cena do dia - Parte II

Três crianças subindo o morro usando uma telha como improvisação de guarda-chuva.

Cena do dia

Velhinha corcunda levando um carrinho de bebê... com uma caixa de cerveja dentro!

segunda-feira, 10 de março de 2008

Medos públicos

Enquanto caminhava, havia na minha frente uma criança (no colo de alguém, provavelmente seu pai) que olhava insistentemente para mim. De cima a baixo! Tentei olhar várias vezes com aquele sorriso no canto da boca. Nada. Ela continuava a olhar, olhar, olhar, sequer ousou sorrir. Não sei se ficou hipnotizada pela camisa xadrez, mas fiquei foi com medo dos seus pensamentos vidrados. Eu me afastei, esperava alguém. A criança, cega de determinação, deve ter olhado até o xadrez virar uma cor só, e então eu parecer um borrão...

Hoje também senti medo de envelhecer.

Sentir

Ela sente falta da simplicidade. Precisa das coisas exageradamente simples como cheirar fundo pra reter o perfume de dama-da-noite, como um carinho de madrugada, como aquele cachorro dormindo no sol ou a digestão de uma boa história. Simples como a poesia que encanta, o Quintana que conta, canta...




Sonho

Sonhei que o mundo estava contaminado por uma doença fatal e só estavam salvos aqueles que já tivessem lido Saramago. Só pode ser um sinal...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Estrelas


A garota usava tênis de quadrinhos.
O garoto balançava as pernas, olhava para baixo.
A garota, sentada na grama, comia goiabas recém colhidas.
O garoto observava as crianças soltando pipa no parque.
A garota pensava em ir ao cinema quando escurecesse.
O garoto esperava escurecer para ver estrelas.
A garota tinha um bloquinho onde escrevia imaginações.
O garoto imaginava a garota.
A garota escrevia o garoto.

Imaginavam.
Sonhavam.
Escreviam.
Balançavam.
Pensavam.

Já Viviam um do outro, já nos sonhos, já nas Almas que ainda não tinham se encontrado, mas que já se sabiam.

Bastava ela olhar para o lado...
Mas foi mais. A garota e o garoto olharam para a mesma estrela...

(06.09.07)


terça-feira, 1 de janeiro de 2008

2007

Talvez seja melhor indispor os planos, consultar as fotografias, reler os poemas, procurar luzes dentro da terra. Depois de um ano assim sem referências, assim apaixonado, assim assim de todo jeito indizível, inesperado e tão cheio de decisões, começo o ano sonhando com sobremesa de banana e passando roupa em um dia nublado de verão. Contabilidade? 16 livros, 90 filmes, Brasília, Rio de Janeiro, Paraty, Los hermanos, Pirinópolis e baratas, Laura fazendo piadas, Namorado que se tornou vizinho, momentos de vestibulanda, bolsa de extensão, congresso de jornalismo científico, desistência de ser jornalista, transferência de curso, cinema, tartaruga machucada, lagartos no quintal, sítio, ovos e leite, meu primeiro "livro de poemas", vontade de ver pato fu, de mudar a cor do quarto, de dizer um milhão de vezes que tenho o melhor Namorado do mundo, saudade, distância, falta de palavras, de disciplina, calçados que não duram, suco do márcio, tigelas de açaí, terapia, computador só pra mim, livro de fotografia, filmes comprados na promoção, boletins de rádio, apresentação de tele-jornal... Juntar tudo e misturar bem: linhas e curvas de um ano que passou, de cheiros por aí, de cores de filme, de vôos nas palavras, de dúvidas, de mudanças, de coisas que compõem os cantos, encantos, sonhos, acasos e futuro que não dá pra saber.

Enfim, sopro de começo de outro ano. Da continuação do que parece acabar, mas que faz parte das lembranças, das comemorações, dos sussurros, do perfume da Vida...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Branquinho branquinho

Dia bem segunda-feira.
Chuva, frescor e céu branquinho branquinho que dá até vontade de virar de cabeça pra baixo e desenhar nele.

Segunda-feira e aquele sentimento de não caber em si. É preciso esticar a Fabiane. Fazer com que ela caiba em seu mundo, em seus desenhos, sonhos, vontades, leituras e poesia de filme.

Segunda-feira e vontade de comer doce. Morder fruta moderna, comer livros com gosto de abacaxi! E quem sabe segurar um cheiro de bolo quente vindo do forno.

Chuva que faz lembra o inverno, as histórias e canções inventadas debaixo de um cobertor quentinho com os dedos empoeirados do sal da pipoca.

Cheiro de molhado, de borboleta escondida. De grito, de sussurro, de canto, de conto, de lado, virado, disforme. Como num pulo para o céu ao encontro dos poemas nas nuvens...

domingo, 16 de dezembro de 2007

Quadrinhos

É. Eu não sei desenhar.
Mas sei ideiarar...

(E até tentar encriançar o mundo. Por que não?)


Línguas

- Eu sei falar espanhol, português e matemática...




;)


grande Laura

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Impulso, vontade

de escrever pra sempre...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Creminho

Eu: É, estou parecendo uma bola...
Laura: Não! Está parecendo um creminho! (abraço)

(carinhosa maneira de falar das minhas gordurinhas... ;)

---

Cenas de hoje:

1) Carro vermelho estacionado debaixo de árvore com flores vermelhas. Flores no chão, combinando com o carro...

2) Ninho de passarinho em cima de um suporte de lâmpada, na parte externa de um prédio da universidade. Detalhe para o pouco espaço entre o suporte e o teto: o inusitado que faz sorrir...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Paladar

Tem gosto de idéia,
de geléia
de goiaba.

Vi gota
na ponta da caneta:
e na ponta do pensamento,
vento.














flickr: brunomiranda

domingo, 2 de dezembro de 2007

Vontade de inventar histórias

Memórias, olhares, pensares...
O que sonha o personagem que ainda não foi criado?
Será que vê estrelas?
Ou só nada entre imaginações esperando emergir na criação?
Seus passos, antepassos, lágrimas... são audíveis?

Em mim, borbulham.
Não sairão ou surgirão agora...
É como se se preparassem para pular:
saltar de pára-quedas no não-saber,
alcançar os percebimentos do redor,
do que contamina os sentidos por míseros momentos
e consegue encher um pouco o que todos temos de vazio.

Mal respiramos e vai embora.
Enchemo-nos com a falta de novo,
à espera de outra história
para amornar o medo de não entendermos
o esquisito rumo em que estamos...

---

Ele agora vê que o tempo é uma ilusão
E o passado são as linhas em suas mãos
Ou não, ou não, a vida é muito mais
Que os dias, que os deuses, que jornais

(A verdade sobre o tempo - Pato fu)

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Durma, medo meu...

E nos esquecemos da cor que tinha o céu, assim
como a saudade
ou uma frase perdida...

Durma, medo meu,
durma, medo meu...

fotolog.com/kmilart_






quinta-feira, 29 de novembro de 2007

sábado, 17 de novembro de 2007

Incessante

Ímpeto de poema:
a confusão também precisa
ser escrita.

Viver lá na frente
como quem só sonha.
Desperceber a flor,
configurar uma rotina
que não é tão sua.

Abraços,
- quero todo o tempo.
Fugir do resto,
do inapoemável.

Aonde chegaremos?
Por que não
no sofá?
Por que não
na lembrança
de quando tanto imaginamos?


Sendo.
Sem saber muito bem o quê...

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Fotografando, amando...

Saudade de Você tirando fotos minhas...

Vamos um dia passear por aí
atrás do perfume de fruta doce?

Amar em cada segundo
o falar secreto,
a ânsia exposta
nos olhos apaixonados
de ver o Mundo Nosso
vivendo de infinito.

-Clic!
Foto do Mundo.

-Clic!
Foto de Uma Vida.

-Clic!
Foto de imagem e sonho que não param.
Mistura de cores, brilhos, mistérios...

-Ficarei ao seu lado pra sempre!
-Clic!

- Vamos colar nossas fotos pela casa? O álbum sufoca os sorrisos...
- Clic!


Paraty, RJ
Foto por: Ele S2

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Assim sem saber sentir...

É um lado ou é o outro?
Por que o aqui parece tão longe?
Irresponsabilidade?
Riscos? Provas?

Olhos cerrados,
buscando.

Perante a chuva
aflora o medo
de tudo.

Tanto que não entendo,
que não consigo abraçar...

Assim sem saber sentir...















(fotolog.com/kmilart_)

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Javalia

"Tem uma sobrancelha no meu olho." Laura, 15 de agosto

Mãe: Laura, contou pra mana o que tinha no sítio dessa vez, que você queria trazer pra casa?
Fabrício (metido): filhote de javali!
Laura: Javalia! Porque era mulher...



;)

Ser poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
é condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

(Florbela Espanca)


Desenho: fotolog.com/kmilart_

sábado, 13 de outubro de 2007

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Quero...

Quero compor músico do dia.
Prato, poema, pulo, percepção.

Não entender,
não saber,
não desenrolar.

O que há entre as Almas?
Do que depende a dor?


Atam-se as mãos.
Não podem ficar
um minuto longe.
Propoem-se ao risco
do sonho
de construção
do inominável.

Sopro.
Cheiro.
Calor.
Gosto.

E um pouquinho do silêncio nosso

(que diz tudo).


(gatinho em homenagem ao Amor...)

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

A hora da estrela...

Ela está pronta
pra mudar a sua vida pra sempre.
Já imagina
como tudo vai ser tão diferente
e aquele lugar lá na frente
vai ser seu.

Mais um minuto
e tudo o que sonhou vai ser verdade.
Não há no mundo
quem não entenda a sua felicidade
que possa dizer com certeza
que o lugar é seu
que é de quem nasceu pra brilhar.

A hora da estrela vai chegar
agora ninguém vai duvidar
não hoje, não mais
nem nunca, jamais.

Ela está pronta
pra mudar a sua vida pra sempre

(Pato fu)


sábado, 22 de setembro de 2007

Plantando...

"Eu me dou ao luxo de fazer algumas coisas (ecologicamente incorretas) porque posso plantar as 700 árvores que preciso para despoluir tudo o que poluo".

Wanessa Camargo, cantora recém-nomeada "embaixadora" de uma ONG que defende a Mata Atlântica, explicando sua filosofia ambiental.

(Época, 17 de setembro de 2007)



Nada como ter a consciência limpa!!



sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Percebi que a Joaninha é também poeta (além de jornalista, atriz e outras coisas incríveis que só ela sabe ser). E viu encanto na Borboleta, ainda que sem vida, na calçada em um dia chuvoso...

Joana:Hoje eu estava andando na rua e lembrei de você.

Vi um borboleta morta na calçada.
Ela era preta com detalhes cor de rosa nas asas.
Preta, como se desde quando deixou de ser lagarta estivesse pronta para aquele momento.
Mas manteve os detalhes cor de rosa da menina, doce sonhadora e bailarina- naquele tom que um dia comentamos usar exageradamente em alguma fase tola da adolescência.
Por onde teria voado?
Agora estava ali em toda sua elegância e suposta irrelevância.
Uma borboleta preta morta na calçada.


Lembrei de você não porque era morta.
Mas porque era borboleta..

Com detalhes cor de rosa.

Como...

Como poemar folhas amarelas ao chão?
Ou flores rosas também caídas por conta da unânime chuva?

Papel não tem resposta.

As mudanças roubam minhas palavras. Mudei até de penteado!
A poesia não mora mais tanto em mim: passa a noite cada vez mais raramente, passa o dia em escassas percepções.

Mundo, mundo vasto mundo...
Mais confuso é o meu coração...

(A Universidade estava especialmente bonita hoje pela manhã. Às vezes por conta da chuva, não olhamos muito para os lados. Acontece que a força da água derrubou as folhas e as flores compondo um denso cenário em conjunto das poças, dos trovões, guarda-chuvas e pessoas apressadas indiferentes à singular beleza da precipitação....)








domingo, 9 de setembro de 2007

Mudanças...


Estes me parecem tempos de mudanças...

De blog? De curso? De sonhos?

Bem, aqui estou. Talvez em busca de uma nova fase e de novas percepções.
Preciso mesmo me sentir em tudo que faço...



















(Bonequinha de Luxo, 1961)